Paula Santana está nesta estante e em qualquer outra com livros infantis.

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Anos atrás, no Mepe, passei uma fileira de barracas com livros e objetos diversos, num evento de Literatura Infantil, e, já no final, cheguei na de Paula.

Em certo momento da conversa que iniciamos, ela me explicou sobre a organização do espaço e me mostrou, com um sorriso alegre, que as estantes estavam colocadas em um nível mais baixo, de modo que as crianças pudessem alcançá-los com facilidade.

Era um evento de Literatura dedicada a crianças e adolescentes, e as outras barracas não tiveram a mesma atenção na altura das estantes, observou Paula, que tinha conferido a organização dos demais espaços.

É nesses pequenos atos de sensibilidade, como o de Paula, que me frutifico.

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A percepção dela seria o mínimo que a maioria deveria ter: a da empatia. Mas também a da autonomia e a do protagonismo infantil.

A sensibilidade de Paula é revolucionária, pois, ao passo que a vida adulta se intensifica, vamos nos esquecendo da criança que habita dentro de nós; ora abandonada, mas sempre à espera de uma brincadeira ou de um sorriso inocente.

E Paula ainda preservava a sua criança interior que se aventurava em fuçar os livros mais fáceis de alcançar na estante de casa, de uma biblioteca ou de uma livraria, em sua infância.

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Ela tinha um espaço no Pátio de São Pedro com obras artesanais e independentes, o qual visitei algumas vezes para deixar publicações dos Outros Críticos.

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Um tempo depois, soube que Paula tinha partido para outro plano de existência.

Mesmo período em que escrevi um texto sobre livros-objetos para a Revista Continente, no qual fiz referência à memória dela, como um reconhecimento à sensibilidade e à reverberação da empatia dela sobre mim.

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Há crenças que acreditam que viramos animais, ao final da vida, reintegrando-nos à Pachamama sob outras formas de expressão.

Para mim, Paula está em cada livro e estante em que as crianças conseguem alcançar e, assim, possam ser protagonistas, também, das suas escolhas literárias.

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Uma criança expressando-se com liberdade é um ato revolucionário.

https://www.instagram.com/p/CgopOrIuL9A/

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